quarta-feira, janeiro 30, 2008

aperfeiçoamento da articulação lógica e retórica sob os efeitos da ilusão da coesão hierárquica do mundo social. I (por um cidadão comum)

estive a reparar e a pensar o quanto penso e nada faço a respeito desses pensamentos. na década passada não pensava tanto assim. agora são tantos problemas pra pensar. estou até fumando com meus filhos. sabe, aquele cheiro doce sempre apeteceu meus sentidos! ele mexia comigo desde que meus primos me enchiam o saco lá no posto agro-pecuário. daí eu fumo quando chego em casa e fico pensando. e acho graça das coisas e das crianças. e pela manhã eu saio para tentar trazer algo para comer no final do dia. e para garantir mais alguns momentos de pensamentos engraçados. o emprego enche o saco. e vi que gasto mais horas fazendo nada de saco cheio, mau-humorado do que fazendo nada brincando, pensando e rindo das coisas. a brincadeira realmente não faz parte da vida de milhões de outros trabalhadores como eu. e pensar sobre isso consumiu todo meu fim-de-tarde de ontem. hoje eu falei com meu mais velho e disse para ele fazer da vida uma coisa boa. uma brincadeira. e brincadeira é coisa séria. é coisa de mudanças, sabe? daquelas que mudam o modo de viver e se relacionar com o próximo e com o meio. ele disse que eu estava era chapado demais. mas eu não sei, viu? acho que estava cansado de tantas provações. mas, realmente, veja só que coisa maluca. o mundo sem trabalho! não teríamos mais quem assinasse os papéis de nossa identidade, não teríamos mais quem produzisse as necessidades mais básicas como o celular, computador e os cigarros com fumo asiático. imagina o homem fazendo tudo aquilo que lhe der vontade... não! impossível, meu deus! o homem não sabe dividir tarefas por si só. as tarefas necessárias são coordenadas pelos nossos fortes estados. dou graças a deus que tudo está direcionado e pré-determinado, que estou seguro aqui em casa. e que eu tenho tempo de sobra para pensar em muita coisa. o trabalho nos mantêm organizados e ocupados para, depois, ficarmos na segurança de nossos lares pensando sobre essas coisas primordiais. taí, que engraçado! porque é que eu não pensei nisso antes? benzadeus!

sexta-feira, janeiro 04, 2008

brincando de reconhecer

Descobri o nome daquele que causa os “sinistros”, que minha avó tanto fala. 'Sinistro' era como ela chamava meu tio, o “desastrado” da família. E ele sempre foi uma referência quando eu quebrava algum copo ou derrubava feijão na toalha limpa, pois ela se apressava a contar alguma história de outros "sinistros" cometidos por aquele tio. Sempre achei que não era nossa culpa, e hoje creio que tinha razão. Descobri ainda que quem causa esses "sinistros" é aquele anão corcunda sobre o qual o alemão falava na primeira tese, que se esconde na mesa de xadrez da história e que conduz com cordéis a mão do fantoche que joga. Talvez seja deus, talvez seja simplesmente o acaso. Talvez aquele alemão teria pensado que o controle do jogo provinha de algo mais místico que o acaso, mas prefiro este para entender o papel que aquele anão, o corcundinha, representa. Se só uma sociedade redimida pode citar seu passado em cada um de seus momentos, e se essas citações só são possíveis no dia do juízo final, da redenção, como disse o teutônico, então durante aquela famosa retomada de nosso passado, segundos antes da morte, quem apareceria para fazer com que reconheçamos inteiramente nossa trajetória seria o corcundinha. Mas qual o sentido de esperar a morte para nos rendermos à reflexão sobre o que estamos fazendo de nós? Se não podemos lutar contra o acaso, contra o imprevisível corcundinha, podemos, ao menos, aprender com ele e retomar os objetivos dos nossos projetos. O que esperamos do porvir quase nunca vem da forma como concebemos inicialmente, assim creio que o que faz a humanidade seguir adiante é a habilidade de lidar com essas casualidades. Não estou dizendo que nossas vidas são feitas somente de acasos, mas sim que essas ocasiões são propícias para refletirmos sobre nossa trajetória, e, quem sabe, mudarmos alguns rumos. O problema é que nunca vemos o corcundinha. Só ele nos vê. Só ele pode lançar um olhar para nós, e é com esse olhar que as coisas começam. Nos resta exercitar nossas habilidades de disputar aquele jogo, de regras eventualmente modificáveis, para percebermos com mais clareza os movimentos das peças. Já que o corcundinha não pode escolher nenhum lado, e efetivamente não escolhe, restou para a humanidade desenvolver uma capacidade – ou mais de uma – eficiente de superar os estragos causados pelo imprevisto, e cada sociedade dá seu jeito. Alguns de nossos modernos antepassados – aqueles que se acreditavam herdeiros do outro lado do Atlântico – temiam o imprevisto e lutaram para vencer o corcundinha. A modernidade – confundida com o capitalismo – criou inúmeras fórmulas e leis para superar esse problema, que atuava (e atua) em todos os espaços da vida. Hoje milhões de brasileiros lutam contra as adversidades da vida cotidiana, mas, ironicamente, para muitos o acaso é na verdade o contrário daquele que amedrontava nossos queridos antepassados moderninhos – isso para não colocar sempre nossas queridas elites contemporâneas na história. Enfim, descobri o nome daquele que me faz quebrar um copo nas condições mais adversas para que isso ocorra. E descobri que o exercício que fazemos só pode ser feito se reconhecermos as transformações, – no plural, diferentemente do que o alemão pensou – as mais imperceptíveis de todas. Eu posso chorar pelo copo perdido ou dar novos usos para aquelas peças de vidro, aparentemente inúteis.

quarta-feira, novembro 21, 2007

As cores são andróginas, vermelho é vermelha. mas não há conflito de gênero: ele só aparece quando relacionamos as cores com os sujeitos e objetos.

ela estava caminhando
na avenida movimentada
quando transformou-se em
vermelho.
logo ali
no corredor de ônibus.
transformou-se em vermelho.
ela ia tranqüila e atordoada,
e transformou-se em
vermelho.
num segundo ela era
todo o vermelho que
se via na avenida.
no asfalto quente,
em rostos boquiabertos,
em pára-brisas,
em um motor, em rodas.
agora ela era feita ora
de uma pasta vermelha ora
de um líquido vermelho.
ela se espalhou pela cidade,
oxidou-se em postes metálicos,
misturou-se com secreções oculares,
infiltrou-se nas águas do esgoto, quando a água jorrou
no asfalto.
o primeiro que ficou feliz foi
o cachorro que degustou um pouco daquela pasta
vermelha em que ela havia se transformado.
em pouco tempo, ela estava circulando pela cidade
nos bicos das pombas, nas línguas dos cães, nos olhos dos velhos.
ela estava lá caminhando e
transformou-se em vermelho.

sexta-feira, outubro 12, 2007

diariamente uma mente velha transforma seu legado

o velho já não pode mais sair pois dói o pescoço, dói a coluna, dói a pele, doem as costas, doem os órgãos vitais, doem as pernas, doem os músculos, doem os dedos. o velho pensa no dia de ontem e vê a confusão lírica que foi sua passagem. corpos extravasando seus amores e ódios, defenestrando-os para cima de outros corpos. corpos em comunicação. é quase impossível para aquele velho pensar, colocar em forma de palavras, os ritos por ele vivido. mas o pensamento se forma a partir do sentimento que ocupa sua mente insana, carregada de uma imensa soma cosmológica produzida por séculos de civilização. uma mente que se encontrou com seus antepassados mortos e que procurou superá-los. procurou não deixar a centelha se apagar. orientando as ações de seu corpo no sentido de deixar um legado maior que o dos mortos. no sentido de avançar as peças no tabuleiro de forma a surpreender seu adversário. uma mente que movimentava cada peça com o esforço de alcançar a rainha e não o rei, frustrando toda expectativa do adversário. ela não mudou as regras do jogo, mas mudou a forma de interpretar o jogo. ou pelo menos a forma que ensinaram para ela. forçando as mentes que o rodeavam a, pelo menos, encarar outras formas de perceber o jogo, ou melhor a vida. ela sabia que essa metáfora não fazia jus à complexidade da vida. mas ela sabia, também, que a metáfora não precisava ser racional. e para ela, a vida devia mais à metáfora do que o contrário. e os mortos deviam mais à vida. do que a vida aos mortos. mas ela sentia-se em dívida com os legados, pelo menos os que lhe apeteciam, dos mortos. e buscou aperfeiçoá-los. depois de olhar para ontem, a mente do velho percebeu que as dores de seu corpo só se externalizavam porque este corpo agiu. a mente do velho se encheu de hormônios ao perceber que as escolhas feitas para sua atuação, em conjunto com o corpo, geraram as inúmeras dores neste presente. ao perceber-se como criadora de um legado que irá ser superado. as substâncias que invadiram o espaço daquela mente reagiram e conduziram para a face do velho impulsos. surgiu em seu rosto um sorriso. de quem vai sair de casa. na busca de superar seu legado.

domingo, outubro 07, 2007

Trailer# The Bird People in China (1998)


A eterna vontade de voar.
Lindo, simplesmente lindo!

Braindead (dead alive)

Poesia lírica!

sábado, setembro 22, 2007

o fim da noite

oh!
e já não há mais tantas forças.
o estômago dói. o intestino não funciona.
a gengiva sangra. a coluna dolorida e torta.
o joelho moído. os olhos ardendo.
e o cérebro continua sempre dando defeitos. talvez agora mais doentios.

o fim

sexta-feira, setembro 21, 2007

eu acho que eu já tive um amor...

"tive sim, outro grande amor antes do teu, tive sim.
o que ela sonhava era os meus sonhos e assim íamos vivendo em paz.
nosso lar
em nosso lar sempre houve alegria.
e eu vivi tão contente.
como contente ao teu lado estou.
tive sim, mas comparar com o teu amor, seria o fim.
então vou calar.
pois não pretendo, amor, te magoar.
pois não pretendo, amor, te magoar."
o amor está em mim. como não poderia estar? podendo. mas ele inexplicavelmente está em mim. e inexplicavelmente ele é uma construção coletiva. logo ele pode ser o mesmo sentimento que você, do outro lado desta rede de relações, sente. mas ele pode ser algo incompreensível para quem não mais está envolvido em uma rede de relações. ele pode ser vivido por uma pessoa só, por duas, ou por várias. ele pode ser esperado por uns, entendido por outros ou incessantemente buscado por mais outros. ele pode também simplesmente não ser inteligível para muitos. e passar desapercebido. eu amo. não sei explicar como. eu amo e sou capaz de não mais procurar quem eu amo, caso a pessoa esteja precisando de estar só. eu amo e sou capaz de remoer amores passados. eu amo e sou capaz de não mais me dedicar a nada. eu amo e sou capaz de escolher a vida e continuar aporrinhado este mundo ao invés de me matar. há muito tempo eu preferi a tolice de viver. desde então eu perturbo o mundo com as várias maneiras de pensar o próprio mundo. não sou capaz de amar todo mundo deste mundo. mas sou capaz de tratar aquilo que eu odeio com um abraço, com um afeto. justamente para corromper as escolhas "naturais" de nossas sociedades. também posso cuspir em pratos depois que a refeição terminou. sim, nunca disse que não sou estúpido. mas isso é outro caso. ou "caos" aqui é outro. (é caos mesmo) amores podem surgir de um aperto de mão. ou só depois de anos de convivência. mas há amores e amores. há tempos que não participo da construção de amores. eu presenciei realizações amorosas, como a participação política de estudantes na universidade. mas não participei dessa realização. senti um amor grande por algumas pessoas libertárias, mas não criei nenhuma espécie de amor entre nós. logo podemos amar, sem nos relacionar também. eu não vou chegar ao ponto de amar nenhum bush, ou fidel. os amores também têm limites. mas será que eles não são amados por ninguém? eu até gostaria que não. mas eles são seres humanos que construíram suas relações ao longo de suas vidas. e em algum momento deve ter havido amor. fidel em suas lutas e bush... er... e bush... e bush quando sua mãe o pariu. ah... o amor é uma construção, como já disse. logo o que é amor para alguém que vive o dia inteiro sob pressão de ser atacado por um policial durante toda madrugada é diferente do amor para alguém que vive no conforto de seu apartamento amparado por um copo de leite quente que a mamãe preparou. será que nós nos amamos realmente? bom, eu já fugi do intuito inicial, então fico por aqui. em pedaços. talvez esses pedaços possam ser completos.

o medo de perder o medo

outro dia estava eu cortando caminho pelo parque farroupilha. o parque da República. de bancos de fins do século XIX. de sociabilidade da burguesia emergente sulriograndense. com passarelas sobre um pequeno lago, hoje sujo e fétido. com árvores que te fazem esquecer o gosto do ar urbano. o melhor adjetivo para ele hoje seria democrático. mas na verdade ele nasceu republicano. e sua suposta democracia só mata a fome da alma "popular" em dias de domingo e feriados. principalmente nos que têm passe-livre para toda população. sim. passe-livre. quanta democracia. pois bem. estava eu esquecido do trânsito urbano. perdido em meio ao som quase provinciano do parque até que fui surpreendido por um corredor que vinha logo atrás de mim. o senhor estava simplesmente tentando, em seu tempo livre, curar o coração de suas gorduras ingeridas ao longo de sua vida de gaúcho. ou exercitando seu pulmão podre de 20 anos de acondicionamento de nicotina. ou sei lá o que. o que interessa, e isso sim é instigante, é que eu me virei assustado e tenso. talvez pensando que estava sendo abordado por um possível corpo que escolheu a via do liberalismo cotidiano da urbe: saques e motins. sim. era isso. esqueçam o talvez. o homem chegou a pedir desculpas, sem parar sua corrida pela recuperação de sua saúde. ele percebeu claramente minha feição de tensão. refletindo sobre o ocorrido percebi o quanto vivemos sob tensão. todo o tempo. estava eu em um parque, cortando caminho para chegar em minha passagem de porto alegre. e me dou conta do quanto o mundo moderno (muitos diriam com a boca cheia: pós-moderno, seu “out”!) nos deixa tensos. e a tensão vem de todos os lados. desde a televisão até na literatura. sim. até nesta tão gostosa fuga. tensão em kundera, tensão em bukowski. não é a boa tensão. aquela sobre a qual realizamos nossas práticas cotidianas e que nos faz mover. mas a tensão no sentido de fobia. de medo. medo das ruas. medo da sombra que vem logo atrás de você. sentimento criado. porém sentimento sentido. vivido. chegam a criar até mesmo uma instituição para afastar esse medo. por isso não é de se assustar que a polícia declare que já fez por volta de 40 mil detenções e que espera chegar aos 70 batendo o número do ano passado. e deixando como eles disseram todas as famílias tranqüilas. porque as famílias têm medo. e deixar sua liberdade de ir e vir sob a guarda da brigada militar. ainda sou totalmente contra a instituição da polícia. mas me vi inserido por instantes na prática social que este mundo nos ensinou. pelo menos em parte dela, a do medo. e nossa sociedade parece ter medo de perder o medo. porque desaprendemos a viver sem a polícia. porque ela parece algo que está na ordem natural das coisas.
vivendo na utopia de perder o medo e encarar todos como senhores de seus destinos posso até me deparar com uma alma que esteja a ponto de agir segundo a ordem que o medo neoliberal nos ensinou. mas aí é outra história. porque tudo pode acontecer. e eu prefiro romper com o medo urbano.
uma pessoa que vive de sonhos. e sonhos envelhecem... ah, como envelhecem! ou foi só a alma amargurada que envelheceu durante sua vil existência? não sei, talvez no futuro alguém dirá: "um gordo que procurou viver..." triste, mas passível de ser verdadeiro.
enquanto espero não ser como eles, não tenho tanta certeza de que não sou.

sábado, julho 21, 2007

Para se encontrar é preciso se perder

A vida é a eterna luta para manter o intestino em funcionamento....




Agradeço vossas palavras bonitas.... mas não podemos negar minha mediocridade.

Escuto Cartola, ele me diz para disfarçar e chorar...
Disfarçar eu até consigo... chorar é que não... Daí meu pranto irriga é meu coração que fica cada vez mais fraco... Ao invés de molhar o deserto como o Mestre prometeu...
Penso que preciso ir... andar, sorrir já que não choro... assistir o sol, ver as águas do rio grande, ou vir a cuíca cantar... renascer, reviver...
Eu te deixo ir caro Mestre, anda como um vagabundo... Perambule pelas ruas. elas são tuas...
O mundo pode ser um moinho, mas pode ser uma bela de uma privada de rodoviária... ou de um quintal imundo dos anos cinqüenta... Em pouco tempo não seremos mais o que somos... E o moinho pode até triturar nossas ilusões, mas é a privada que irá fuder nossas genitálias e nosso reto. Cuidado com o cinismo.
Tive amor sim! Antes do teu, sim! E vivia contente, como vivo contigo... Mas comparar com o teu amor é o fim... Então calo pois não pretendo, amor, lhe magoar... Mas pensando bem... se não pretendemos magoar porque começamos a falar? Porque gostamos. Amamos. E assim, somos sinceros.
Deixe-me ir? Mal conheço a vida, não sei meu rumo. Mas preciso andar. Não estou resolvido, e minha vida ficará em cada esquina... Mas quero nascer. Quero viver.
Cavei o abismo com meus pés. E sairei dele com minhas mãos.
Espero não quebrar as promessas que eu nunca fiz... Espero estar junto, trabalhando até o dia que tivermos o suficiente. E quando o suficiente for suficiente para mudar... Mudaremos....Espero não quebrar as promessas que fiz a mim mesmo, enquanto criança...
Mas preciso ir... preciso andar...

domingo, julho 01, 2007

fragmentos sobre aqueles que estão reunidos em uma pessoa só

tocando os pés daquele senhor, naquele quarto escuro com um cheiro acre, ele pensava em descrever aquela sensação de angústia e alívio. ele sabia que aquela massagem o conectava àquele homem deitado naquela cama inclinável. e doía quando batia às portas de seus pensamentos uma idéia moribunda, que sempre lhe deu calafrios. a idéia de que poderia ser a última massagem. mas isso não lhe preocupava. eram dores constantes, logo, já não tinham tanto impacto sobre seu corpo. o que importunava sua mente era o fenômeno que ele estava ainda por nomear. era a situação vivida ali, durante aqueles poucos minutos de cumplicidade desproporcional. mas os dois pareciam saber que aquele momento eram deles. aquela massagem parecia como uma tradição secular de demonstração afetiva. à frente daqueles dois corpos unidos pelo vai-e-vem que suas almas faziam, caminhando de um corpo a outro, a televisão estava ligada entretendo superficialmente os dois olhos daquele senhor, que havia se entregado ao ritual. ela fazia o simples papel de iluminar com diferentes cores aquele quarto escuro conformando o cenário daquela união.
...
naquela tarde fria e ensolarada aqueles jovens percorrem alguns quilômetros com o sol tocando suas faces amareladas. eles conjecturam sobre o futuro, sobre seus desesperos, suas utopias coletivas e frustrações mundanas. eles acham engraçado querer construir algo em coletividade ao mesmo tempo em que se sentem, individualmente falando, incapazes e inúteis. riem com tanta intensidade que chegava a sair lágrimas de seus olhos. ao encontrarem o local desejado para compartilhar a tarde e a noite que logo chegaria eles se esticaram numa grama verde e macia. justamente como ela queria, mas não tanto como ele imaginava. as gargalhadas sinceras e cúmplices transformam-se em olhares profundos que dialogam entre si numa sintonia estranha e magna. estranha é também a intensidade dessas tardes que eles costumavam compartilhar. compartilhando mundos e nunca se fechando para eles. reunidos numa pessoa só eles deixavam seus corpos e almas se comunicarem com o resto da comunidade à qual estavam integrados.
...
seguindo seus desejos de unir-se com sua amiga de forma diferente das já tinha vivenciado, ele pega aquelas pernas macias e carnudas, sentindo as gorduras de suas mãos entrando em contato com as gorduras das pernas dela. e aproxima estas ao seu rosto, respirando junto àquelas canelas um ar quente e úmido. os corpos dos dois se contraem de prazer. de um duplo prazer. ele por massagear os pés dela e receber carícias em seus joelhos. ela por fazer essas carícias e receber aquela massagem. a intensidade daquele momento fez com que seus corpos se comunicassem num ritmo estremecedor. suas almas se encontravam de tempo em tempo. e a cada encontro um tremor abala as estruturas de seus corpos.
corpos e almas reunidos numa pessoa só.

sábado, maio 19, 2007

os bárbaros ou a eterna vontade de romper com a catástrofe

- exceder. é o que me falta. tenho medo de me tornar um novo rémy. não que ele seja medíocre. não apoio esta tese. não quero é me arrepender daquilo que deixei de fazer. ficar pensando a vida toda em escrever "memórias póstumas de brás cubas" é o que não quero.! prefiro escrever as 'memórias de um porco doente'. o importante aqui não é, na realidade, escrever memórias mas fazer algo que possa, mais tarde, ser propulsor da vida. ou seja, produzir sem medo, não importando se o trabalho será reconhecido ou não. pois a partir disso poderemos execer. tirar as máscaras e sermos humanos - ensinamento herdado de uma linda professora que lia cioran, iracema. mas somos tão frágeis. e não conseguimos encarar a morte com naturalidade como cioran o fez. mas deveríamos. tenho medo de morrer, e como rémy talvez o medo seja na realidade de perder algo que não mais possuo. só que no meu caso não é o passado que vivi, mas o não vivido, e o porvir. tenho medo de perder o porvir e viver perdido num limbo (agora defendo sua existência) aonde o que foi possível nunca mais será. é como que um mundo novo, ou uma proposta presa em uma bola-de-gude. que viverá enquanto bola, porque quando a bola se desfizer a proposta se romperá, tornando-se uma enorme gama de possibilidades. possibilidades já não mais executáveis na ocasião em que se cristalizou. possibilidades que poderão ser perdidas ou incorporadas por novos 'rémys', que novamente temerão pelas boas oportunidades perdidas.
- "hey! então, preste atenção nas oportunidades que não perdestes ainda!"
- sim senhor, peligro! é sempre bom conversar contigo.!
- "disponha"

sábado, maio 12, 2007

Precisamos nos encontrar

A vida surpreende a cada nova morte de um segundo. É no segundo que o pensamento nos permite conectar realidades, teorias, textos, produções humanas no geral. Na verdade, em um primeiro segundo fazemos uma aproximação entre duas produções aonde procuramos observar as possibilidades de diálogo entre elas. E num outro segundo conseguimos – por estalos, após meses, senão anos, dando murros em ponta de faca – fazer a conexão de determinadas realidades. Creio, realmente, que o trabalho de atentar para o resto do mundo enquanto estamos obstinados a enfrentar um único objeto é crucial para ir além das fronteiras do senso comum. Para avançar em questões novas e que, por vezes, e muitas por sinal, passam desapercebidas.
Muitos de nossos princípios talvez venham de lugares nunca visitados ou imaginados. Talvez o tempo seja uma chave para este baú lacrado quase esquecido no fundo do porão. Ao tratar do passado - e porque não o presente? - devemos ter em mente que nossas experiências sofrem influências das marcas do passado. Pensar que essas experiências como um amalgama de histórias: a vivida, a pesquisada, a estudada, a analisada, a narrada, (como nos ensinou Lucília Delgado, mas também) a ensinada, a almejada, a oficializada, a sentida, a documentada, a (re)lembrada.
Percebi que a conexão entre o eu e o você é maior do que imaginamos. Maior que nossos umbigos!
"Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar, sorrir pra não chorar. Quero assistir ao sol nascer. Ver as águas dos rios correr. Ouvir os pássaros cantar. Eu quero nascer, quero viver... Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar depois que me encontrar. Deixe-me ir..."
!

terça-feira, maio 01, 2007

rascunhos sobre o velho

é... e o velho continua andando pelas sombras e sobras. escondendo suas rugas e desencantos. procurando não deixar escapar de si que ele sente, como que tatuado em sua testa, suas rugas e desencantos. anda confundindo, em sua solidão, saudade e alívio daquilo que já passou, daqueles que passaram por ele. e não crê mais nos sonhos. aliás, já não há mais espaço para as ilusões de outrora. se sente como um vendedor de si mesmo, e crê que oferece mais do que recebe. na verdade ele não consegue mais sentir prazer, a não ser quando tenha algo para oferecer. hoje em dia já não tem mais nada para oferecer, mas ainda não sabe disso. o velho anda pensando sobre suas conquistas, seu trabalho, sua falecida esposa, suas amantes, sua vida. e mais, se questionando se ele chegou a escolher tudo isso, ou simplesmente aceitou as escolhas alheias. e discute com seus botões sobre seu caráter: "somos sinceros ou hipócritas?". ele mal sabe que as situações de sua vida foram sempre assim, conflitos de interesses díspares que aceitavam múltiplas negociações e interpretações. o velho não percebeu em suas reflexões que, durante esses conflitos, sempre preferia se calar.
...

sexta-feira, abril 20, 2007

esquecimentos de miramar

é a dor de não saber ver ou a lamúria de ver demais que tem causado transtornos mentais naquela cabeça. cabeça dura que não sabe mais como se brinca com as palavras. que não conecta mais vida e morte ou que ignora sua vida desejando sempre a morte. o desejo de ouvir os mortos também faz dele uma estúpido prosador. prosador que, no fundo, gosta do que faz e acredita no que faz, apesar de não mais entender suas principais funções, ou antes, apesar de questionar (a necessidades d)as funções do seu trabalho. uma mente em crise constante, melancólica e nostálgica. no sentido melancólico e nostálgico que um velho puteiro, caído aos pedaços - fragmentos da luta que o tempo media - tem. é a dor de não ver o hoje ou de não se perceber enquanto vivo. é a dor de não saber instigar novos 'perceberes' ou o pesar de não ter agido em favor das vidas dos mortos.
miramar miram ar mira mar mirar amar mirar y amar
(os "carlos" sempre inspiram um desejo de mirar e amar!)

domingo, abril 08, 2007

Citação

"É um corpo eternamente incompleto, eternamente criado e criador, um elo na cadeia da evolução da espécie ou, mais exatamente, dois elos observados no ponto onde se unem,onde entram um no outro."(BAKHTIN, Mikhail)
Utilize-se

quinta-feira, março 29, 2007

pessimando liberdades

foi bonito diferente e inspirador. depois de tanto esperar e de tanto 'pessimar' a vida, 'pessimo-a' de forma utópica. utopismo pessimista. talvez. gosto de estar perto de idéias. e há pessoas que são simplesmente idéias. hoje estive cercado dessas idéias. maravilhosas, inovadoras, esperançosas, criadoras. a dramatização das idéias em cenas de teatro modificou-me. os mortos nada esperam de nós. nada. mas muitos de nós esperamos algo deles. respostas. respostas que eles não podem dar. talvez possamos dar a eles algo. não seria bem respostas. algo como a ressuscitação de possibilidades que não se realizaram. algo como uma (re)inflexão desses compossíveis não-realizados na atual realidade. realizando, assim, compossíveis não-realizáveis, que se consumarão em possibilidades de trabalho para novas idéias que ainda nascerão. catástrofe? pessimismo crítico. utópico? espaço e tempo.


as idéias podem arrancar centelhas de esperanças soterradas nas ruínas da tradição do conformismo que beneficiou a (ir)racionalidade da barbárie.


"tá difícil? Descartes."

domingo, março 25, 2007

Reconciliando o intelecto



Havia iniciado este processo devido a forças internas que impeliram meus pensamentos para os criptogramas virtuais. Cessei por semanas o envio desses pensamentos para o sistema internacional de informações, devido a esforços externos que me conduziram a outros problemas. Peço desculpas às minhas pobres letras por ter, de certa forma, brincado com seus sinceros sentimentos. Não fora por mal, sabeis muito bem. Sinto saudades tuas e dos aforismos que criamos juntos - com dores e estimulantes físicos.

Muito tempo se passou desde a última vez, mas gostaria de traçar um diálogo consigo sobre nossos pequenos depositários de expectativas. Todos pensamos possuir um ou mais deste gênero, mas esquecemos que não podemos possuir algo que não existe. Ajude-me aonde puder, mas se o que possuímos é uma expectativa, não possuímos mais do que sonhos baseados em ilusões que nós criamos e demos o status de 'sinais concretos de possibilidades'. Acredito sim, que estes sinais são gerados através de uma relação, então que os enxerga não é o único responsável pela sua existência. Mas acreditamos, eu e você, em algo que vai além disso: quem sustenta a expectativa tem ciência de que o que espera faz parte de um todo; por outro lado que ajuda a sustentar tal expectativa, o pode fazer sem a percepção desse todo que o outro imagina. Por isso ele não existe na totalidade do real. Só existe para o indivíduo, não para o coletivo.

Há, porém, casos excepcionais como a sustentação de uma expectativa mútua. Você depositou muitas esperanças em mim, colocou-me no monte Olimpio e me deu asas maiores do que eu suportava, por minha vez eu a pensei como minha salvação não-humana capaz de conduzir-me aos prazeres de compartilhar os pesos reflexivos da minha mente culpada, culposa. Mas ambos se enganaram, e feio. A relação entre nós deve ser de respeito mútuo, no que diz respeito aos nossos limites. Já apontei os teus e você os meus, e o melhor de tudo é que reconhecemos nossos próprios erros imersos nas linhas compartilhadas. Ainda acreditamos que podemos lutar unidos com nossas únicas armas, as idéias.

Por essas e outras razões que não quero mais conflitos longos e silenciosos como este último. Espero poder trabalhar junto a ti na construção da nossa bizarra argumentação dita pós-contemporânea. E seguindo pensando as gerações futuras ao mesmo tempo em que despertamos para as nossas.


“Ninguém pode aterrorizar uma nação inteira a menos que sejamos todos seus cúmplices.”

"Boa Noite e Boa Sorte"
Edward R. Murrow

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Barreira da insegurança

Mais do que as ações que sentimos segurança em praticar. Ás vezes devemos arriscar e ultrapassar as barreiras que impusemos a nós mesmos. Dizem por aí que quando um não quer, dois não brigam. Penso que superar o senso comum é doudo, mas muito mais produtivo é aprender com ele, deixar que ele decodifique novos conhecimentos. Cheguei em um nível de que nada sei, que nem sei mais se eu sei disso. Nada, deve ser paranóia. Sempre foi. Na verdade o que dói não é ver potencialidades sendo barradas de forma brusca e brutal, mas sim ver que isso não é percebido, ou é simplesmente olvidado, obliterado. Não temos tempo para prolixidades, logo vamos ao que interessa.

As muralhas que construímos para nos proteger do resto do mundo, também pode nos isolar dele. Mas isso não é aquele joguinho de extremos, pelo contrário, uma cousa completa a outra, e digo mais, uma cousa é a outra. (Se essas duas características possuem um comportamento tão semelhante deveríamos tratar delas do mesmo modo?) Os pensamentos me enganam, e somente quando estou botando pra fora é que percebo. Afinal, qual era o intuito inicial deste texto? Já não sei mais responder isto. Esses últimos dias eu ultrapassei muitas barreiras criadas ao longo da minha existência. O que tiro disso? Que importa a minha experiência? Está bem, só disse isso porque ainda não sei o que tirar disso. Pelo menos até agora. Pois agora tudo está ficando um pouco cinza. Mas posso adiantar que é bom romper essas barreiras, o que não significa que elas deixaram de existir, eu simplesmente fui além delas. Já é um começo, que terá um desfecho. “É preciso mudar para permanecer o mesmo”. No meu tempo era, “é preciso mudar para que essa porra não permaneça como está!” Mas muita cousa muda. Antes de mim a primeira frase já tinha produzido efeitos extraordinários neste mundinho.

Outro dia me perguntaram se tenho fé. Sabe, aquilo que é capaz de conduzir uma vida? Aquilo que se sente quando o desespero vem em sua direção. Eu não soube responder. Quando se perde todos os valores, é um tanto quanto complicado responder esse tipo de questão. Na verdade o complicado é edificar, em palavras, os ‘novos’ tipos bizarros de valores que te consomem, se é que podemos chamá-los de valores. Num dia diferente deste, porém não menos igual, me perguntaram para que serve a vida. Como alguém pode ser capaz de me perguntar isso? Sou eu quem faz este tipo de pergunta. Como ficamos? Sem explicação, porque eu apesar da necessidade de uma explicação, eu procuro ainda fechar os olhos para ela, e abri-los somente quando for capaz de me fazer entender. Mas já deixo uma pitada de pimenta neste caso: onde estamos procurando a resposta? E mais, seria esta realmente a pergunta a se fazer? Será que não há outras questões para o mesmo assunto?...

Enfim, romper barreiras pode tanto te conduzir para um estouro da boiada, quanto levá-lo para uma rua no momento de um tiroteio. Dá no mesmo? Ah, sei não hein? Sinta a diferença. Avançar é mais uma forma de lutar contra os maiores temores que possuímos. Agora, seria ta simples reconhecer e enfrentar isso? Esta manhã eu esperei por aquela ligação que nunca aconteceu. Vez ou outra, penso em parar quando o suficiente é suficiente.

“i believe in something, but i don't know what it is. it's either the future or the end. it's every reason that i do or don't get out of bed.”

terça-feira, janeiro 30, 2007

Forte como Peroba...



Estava pensando nas tradições. Certo dia ouvi esta máxima: “forte como uma peroba e livre como um vento”. Corri atrás de sua autoria. Picchia. Mas só para constar, porque não estou dando a mínima para análises profundas agora. O cara veio de uma tradicional família paulistana e, como todo bom literato foi tudo, político, jornalista, banqueiro, advogado e todas essas profissões que envolvem a palavra. Daí botei o Teco para funcionar e ele me informou como a tal da tradição é importante para a formação das vidas das pessoas. Aquela pequena frase pode ter levado milhares de brasileiros (só porque nasceram neste território) a se pensar enquanto tais.


Relativizando minha fala: a frase solta pode fazer sentido em vários aspectos, mas no corpo do seu texto original ela faz alusão ao caboclo, que um dia, por desejo dos pais, será doutor. Agora sim faz um pouco de sentido a frase acima. Isso mesmo, pouco. Se pensarmos a palavra doutor hoje, veremos que ela se assemelha um pouco do sentido de outrora. Talvez naquele momento o doutor poderia significar ter cargo público e tudo mais, bem como o título das famigeradas “Faculdades”. Hoje sabemos que é o título doutoral é dado a quem o defende. Porém ainda vemos por aí pessoas sendo chamadas de doutor sem ao menos ter cursado a graduação, ou somente passou por ela. É o caso dos médicos, advogados, juízes, mas também dos deputados, senadores e outros “ilustrados”.


Sim, a duração é longa. E a república continua dos doutores. Um grande exemplo de tradição firmada pelos “construtores da nação”, que pelo visto está se reformando desde seu início. Processo lento, gradual e seguro. Seguro à nação. Mas cá pra nós, o que é esta nação. Ou melhor, quem é ela? Ah, eu me canso de pensar nesses termos. Já estamos cansados de ouvir minhas reclamações sobre isso. Estamos, porque concordo com todos vocês quanto às minhas reclamações chatas e inoportunas. Mas se eu não puder ser inoportuno, simplesmente REproduzirei tudo, como antes, ou seguindo este tempo. Tempo sombrio, tempo límpido. Ambivalente ou contraditório, escolha suas palavras, suas idéias.


Ao negar tudo estaríamos simplesmente fugindo? Ou colocando os pés em nossas próprias vísceras e infectando nossa organização vital? Mudança de comportamento, ou facilidade diante dos problemas? Negar quer dizer destruir? Não somente. Será que ao destruir não estaremos instruindo, construindo algo? Limitados e castrados pelas idéias, somos ao mesmo tempo capazes de fomentar, através delas, vidas novas. Ás vezes penso: Será que não estamos na tradição da mudança? Mas esta mudança é, para nós, sinônimo de alternância de governos. Ai, se os cientistas políticos tivessem acesso a isto.
Voltemos, então, ao princípio. A contravenção muitas vezes mantém em suas supostas radicais transformações, ranços do tradicional. Vide as feministas do final do XIX e do início do XX no Brasil, ou ainda o governo Stálin. Esses processos carregaram em si muito daquilo que negavam, até mesmo como forma de se auto-afirmar e de suportar suas plataformas, se é que podemos falar disso no primeiro caso. Enfim, as tradições também são importantes nesses processos. Quantas divagações para nada. Inventei a roda! Ah. Às vezes eu gosto de ser óbvio. Ou de perceber que o sou depois que estou preste a terminar um texto.


Ao iniciar este pequeno processo, que chega ao seu limite, a intenção era dizer sobre a importância da tradição nas vidas das pessoas, e acabei, como sempre e isto está virando moda, desvencilhando outros incômodos. Mas retomo o início. É fácil observar como a tradição é importante para nós. Na meio rural, nas cidades, na vida social, no trabalho em qualquer lugar, as crenças, mitos, hierarquias que construímos são feitas em favor da lógica do processo de sociabilidade. Sem elas fica difícil de imaginar algo em funcionamento. Quem diria, eu dizendo isto. Porém com isto não estou dizendo que abandonei os pensamentos líricos e libertários, pelo contrário, estou assumindo que neste pensamento tudo acima enumerado é também de suma importância para a harmonia buscada, mas claro com níveis e funcionamento totalmente distinto do que estamos acostumados a pensar, viver. Veja a tradição oral. Ela é importantíssima para os trabalhos agrários, para os ofícios manuais, para os ofícios intelectuais e até mesmo para a cultura anarquista.


Depois de defender meu cu do ataques de nabas voadoras retorno, novamente. A tradição da peroba, forte e imbatível se sustenta mesmo com refutações dessas idéias por cientistas (doutores) que afirmam sobre sua falsa resistência às intempéries. Sua força é tamanha que ultrapassa gerações e forma seus indivíduos-coletivos. É essa tradição que é capaz de formar, ao mesmo tempo, um novo Abílio Diniz ou Oswald Andrade, ou Prestes, ou Cecília Meirelles, ou Rainha Vitória ou o José, ou a Antônia, ou a prostituta Maria, ou o padeiro Manoel, ou a costureira Josefina, ou você ou eu ou ad infinitum.


Quanta miscelânea. Quanta confusão. Quanto sobrecarga. Quanto lengalenga.

Agora, para fechar, me diga por que não podemos ficar?


Diante do nonsense do mundo por que preciso explicar esta postagem?

O mundo continua dormindo...

Trechos que me incomodam:
"And tomorrow we'll take aim, just like a storm waiting for a calm. I can feel everything coming in my chest, my heart's already pounding, my head's on far-off highways, sixteen years old, on a road that never ends. Might drive into something that looks like a sunset, and it lasts forever, and i never look back"
(...)
"We move in 4/4 time. Our feet on wheels and in the sky. Yes we're going cause we'd die if we stayed here. And those dying dreams will carry what's good, and real, and pure. And the rest can burn in hell"
(...)
"Every shortcoming has trapped us, every mistake is now our own infinite failure. So we steal every chance we get. Every advantage is taken when no one's looking. We hide behind closed doors. And we don't stop until we are the people we've decided we should be. I wanna be a shot heard round the world, fucking unstoppable. This distance is not something we'll regret from here, and now, and today, and forever, and days after that till the very end."