sexta-feira, abril 20, 2007
esquecimentos de miramar
domingo, abril 08, 2007
Citação
quinta-feira, março 29, 2007
pessimando liberdades
as idéias podem arrancar centelhas de esperanças soterradas nas ruínas da tradição do conformismo que beneficiou a (ir)racionalidade da barbárie.
"tá difícil? Descartes."
domingo, março 25, 2007
Reconciliando o intelecto
Havia iniciado este processo devido a forças internas que impeliram meus pensamentos para os criptogramas virtuais. Cessei por semanas o envio desses pensamentos para o sistema internacional de informações, devido a esforços externos que me conduziram a outros problemas. Peço desculpas às minhas pobres letras por ter, de certa forma, brincado com seus sinceros sentimentos. Não fora por mal, sabeis muito bem. Sinto saudades tuas e dos aforismos que criamos juntos - com dores e estimulantes físicos.
Muito tempo se passou desde a última vez, mas gostaria de traçar um diálogo consigo sobre nossos pequenos depositários de expectativas. Todos pensamos possuir um ou mais deste gênero, mas esquecemos que não podemos possuir algo que não existe. Ajude-me aonde puder, mas se o que possuímos é uma expectativa, não possuímos mais do que sonhos baseados em ilusões que nós criamos e demos o status de 'sinais concretos de possibilidades'. Acredito sim, que estes sinais são gerados através de uma relação, então que os enxerga não é o único responsável pela sua existência. Mas acreditamos, eu e você, em algo que vai além disso: quem sustenta a expectativa tem ciência de que o que espera faz parte de um todo; por outro lado que ajuda a sustentar tal expectativa, o pode fazer sem a percepção desse todo que o outro imagina. Por isso ele não existe na totalidade do real. Só existe para o indivíduo, não para o coletivo.
Há, porém, casos excepcionais como a sustentação de uma expectativa mútua. Você depositou muitas esperanças em mim, colocou-me no monte Olimpio e me deu asas maiores do que eu suportava, por minha vez eu a pensei como minha salvação não-humana capaz de conduzir-me aos prazeres de compartilhar os pesos reflexivos da minha mente culpada, culposa. Mas ambos se enganaram, e feio. A relação entre nós deve ser de respeito mútuo, no que diz respeito aos nossos limites. Já apontei os teus e você os meus, e o melhor de tudo é que reconhecemos nossos próprios erros imersos nas linhas compartilhadas. Ainda acreditamos que podemos lutar unidos com nossas únicas armas, as idéias.
Por essas e outras razões que não quero mais conflitos longos e silenciosos como este último. Espero poder trabalhar junto a ti na construção da nossa bizarra argumentação dita pós-contemporânea. E seguindo pensando as gerações futuras ao mesmo tempo em que despertamos para as nossas.
“Ninguém pode aterrorizar uma nação inteira a menos que sejamos todos seus cúmplices.”
"Boa Noite e Boa Sorte"
Edward R. Murrow
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Barreira da insegurança
Mais do que as ações que sentimos segurança em praticar. Ás vezes devemos arriscar e ultrapassar as barreiras que impusemos a nós mesmos. Dizem por aí que quando um não quer, dois não brigam. Penso que superar o senso comum é doudo, mas muito mais produtivo é aprender com ele, deixar que ele decodifique novos conhecimentos. Cheguei em um nível de que nada sei, que nem sei mais se eu sei disso. Nada, deve ser paranóia. Sempre foi. Na verdade o que dói não é ver potencialidades sendo barradas de forma brusca e brutal, mas sim ver que isso não é percebido, ou é simplesmente olvidado, obliterado. Não temos tempo para prolixidades, logo vamos ao que interessa.
As muralhas que construímos para nos proteger do resto do mundo, também pode nos isolar dele. Mas isso não é aquele joguinho de extremos, pelo contrário, uma cousa completa a outra, e digo mais, uma cousa é a outra. (Se essas duas características possuem um comportamento tão semelhante deveríamos tratar delas do mesmo modo?) Os pensamentos me enganam, e somente quando estou botando pra fora é que percebo. Afinal, qual era o intuito inicial deste texto? Já não sei mais responder isto. Esses últimos dias eu ultrapassei muitas barreiras criadas ao longo da minha existência. O que tiro disso? Que importa a minha experiência? Está bem, só disse isso porque ainda não sei o que tirar disso. Pelo menos até agora. Pois agora tudo está ficando um pouco cinza. Mas posso adiantar que é bom romper essas barreiras, o que não significa que elas deixaram de existir, eu simplesmente fui além delas. Já é um começo, que terá um desfecho. “É preciso mudar para permanecer o mesmo”. No meu tempo era, “é preciso mudar para que essa porra não permaneça como está!” Mas muita cousa muda. Antes de mim a primeira frase já tinha produzido efeitos extraordinários neste mundinho.
Outro dia me perguntaram se tenho fé. Sabe, aquilo que é capaz de conduzir uma vida? Aquilo que se sente quando o desespero vem em sua direção. Eu não soube responder. Quando se perde todos os valores, é um tanto quanto complicado responder esse tipo de questão. Na verdade o complicado é edificar, em palavras, os ‘novos’ tipos bizarros de valores que te consomem, se é que podemos chamá-los de valores. Num dia diferente deste, porém não menos igual, me perguntaram para que serve a vida. Como alguém pode ser capaz de me perguntar isso? Sou eu quem faz este tipo de pergunta. Como ficamos? Sem explicação, porque eu apesar da necessidade de uma explicação, eu procuro ainda fechar os olhos para ela, e abri-los somente quando for capaz de me fazer entender. Mas já deixo uma pitada de pimenta neste caso: onde estamos procurando a resposta? E mais, seria esta realmente a pergunta a se fazer? Será que não há outras questões para o mesmo assunto?...
Enfim, romper barreiras pode tanto te conduzir para um estouro da boiada, quanto levá-lo para uma rua no momento de um tiroteio. Dá no mesmo? Ah, sei não hein? Sinta a diferença. Avançar é mais uma forma de lutar contra os maiores temores que possuímos. Agora, seria ta simples reconhecer e enfrentar isso? Esta manhã eu esperei por aquela ligação que nunca aconteceu. Vez ou outra, penso em parar quando o suficiente é suficiente.
“i believe in something, but i don't know what it is. it's either the future or the end. it's every reason that i do or don't get out of bed.”
terça-feira, janeiro 30, 2007
Forte como Peroba...
Estava pensando nas tradições. Certo dia ouvi esta máxima: “forte como uma peroba e livre como um vento”. Corri atrás de sua autoria. Picchia. Mas só para constar, porque não estou dando a mínima para análises profundas agora. O cara veio de uma tradicional família paulistana e, como todo bom literato foi tudo, político, jornalista, banqueiro, advogado e todas essas profissões que envolvem a palavra. Daí botei o Teco para funcionar e ele me informou como a tal da tradição é importante para a formação das vidas das pessoas. Aquela pequena frase pode ter levado milhares de brasileiros (só porque nasceram neste território) a se pensar enquanto tais.
Relativizando minha fala: a frase solta pode fazer sentido em vários aspectos, mas no corpo do seu texto original ela faz alusão ao caboclo, que um dia, por desejo dos pais, será doutor. Agora sim faz um pouco de sentido a frase acima. Isso mesmo, pouco. Se pensarmos a palavra doutor hoje, veremos que ela se assemelha um pouco do sentido de outrora. Talvez naquele momento o doutor poderia significar ter cargo público e tudo mais, bem como o título das famigeradas “Faculdades”. Hoje sabemos que é o título doutoral é dado a quem o defende. Porém ainda vemos por aí pessoas sendo chamadas de doutor sem ao menos ter cursado a graduação, ou somente passou por ela. É o caso dos médicos, advogados, juízes, mas também dos deputados, senadores e outros “ilustrados”.
Sim, a duração é longa. E a república continua dos doutores. Um grande exemplo de tradição firmada pelos “construtores da nação”, que pelo visto está se reformando desde seu início. Processo lento, gradual e seguro. Seguro à nação. Mas cá pra nós, o que é esta nação. Ou melhor, quem é ela? Ah, eu me canso de pensar nesses termos. Já estamos cansados de ouvir minhas reclamações sobre isso. Estamos, porque concordo com todos vocês quanto às minhas reclamações chatas e inoportunas. Mas se eu não puder ser inoportuno, simplesmente REproduzirei tudo, como antes, ou seguindo este tempo. Tempo sombrio, tempo límpido. Ambivalente ou contraditório, escolha suas palavras, suas idéias.
Ao negar tudo estaríamos simplesmente fugindo? Ou colocando os pés em nossas próprias vísceras e infectando nossa organização vital? Mudança de comportamento, ou facilidade diante dos problemas? Negar quer dizer destruir? Não somente. Será que ao destruir não estaremos instruindo, construindo algo? Limitados e castrados pelas idéias, somos ao mesmo tempo capazes de fomentar, através delas, vidas novas. Ás vezes penso: Será que não estamos na tradição da mudança? Mas esta mudança é, para nós, sinônimo de alternância de governos. Ai, se os cientistas políticos tivessem acesso a isto.
Voltemos, então, ao princípio. A contravenção muitas vezes mantém em suas supostas radicais transformações, ranços do tradicional. Vide as feministas do final do XIX e do início do XX no Brasil, ou ainda o governo Stálin. Esses processos carregaram em si muito daquilo que negavam, até mesmo como forma de se auto-afirmar e de suportar suas plataformas, se é que podemos falar disso no primeiro caso. Enfim, as tradições também são importantes nesses processos. Quantas divagações para nada. Inventei a roda! Ah. Às vezes eu gosto de ser óbvio. Ou de perceber que o sou depois que estou preste a terminar um texto.
Ao iniciar este pequeno processo, que chega ao seu limite, a intenção era dizer sobre a importância da tradição nas vidas das pessoas, e acabei, como sempre e isto está virando moda, desvencilhando outros incômodos. Mas retomo o início. É fácil observar como a tradição é importante para nós. Na meio rural, nas cidades, na vida social, no trabalho em qualquer lugar, as crenças, mitos, hierarquias que construímos são feitas em favor da lógica do processo de sociabilidade. Sem elas fica difícil de imaginar algo em funcionamento. Quem diria, eu dizendo isto. Porém com isto não estou dizendo que abandonei os pensamentos líricos e libertários, pelo contrário, estou assumindo que neste pensamento tudo acima enumerado é também de suma importância para a harmonia buscada, mas claro com níveis e funcionamento totalmente distinto do que estamos acostumados a pensar, viver. Veja a tradição oral. Ela é importantíssima para os trabalhos agrários, para os ofícios manuais, para os ofícios intelectuais e até mesmo para a cultura anarquista.
Depois de defender meu cu do ataques de nabas voadoras retorno, novamente. A tradição da peroba, forte e imbatível se sustenta mesmo com refutações dessas idéias por cientistas (doutores) que afirmam sobre sua falsa resistência às intempéries. Sua força é tamanha que ultrapassa gerações e forma seus indivíduos-coletivos. É essa tradição que é capaz de formar, ao mesmo tempo, um novo Abílio Diniz ou Oswald Andrade, ou Prestes, ou Cecília Meirelles, ou Rainha Vitória ou o José, ou a Antônia, ou a prostituta Maria, ou o padeiro Manoel, ou a costureira Josefina, ou você ou eu ou ad infinitum.
Quanta miscelânea. Quanta confusão. Quanto sobrecarga. Quanto lengalenga.
Agora, para fechar, me diga por que não podemos ficar?
Diante do nonsense do mundo por que preciso explicar esta postagem?
O mundo continua dormindo...
Trechos que me incomodam:
"And tomorrow we'll take aim, just like a storm waiting for a calm. I can feel everything coming in my chest, my heart's already pounding, my head's on far-off highways, sixteen years old, on a road that never ends. Might drive into something that looks like a sunset, and it lasts forever, and i never look back"
(...)
"We move in 4/4 time. Our feet on wheels and in the sky. Yes we're going cause we'd die if we stayed here. And those dying dreams will carry what's good, and real, and pure. And the rest can burn in hell"
(...)
"Every shortcoming has trapped us, every mistake is now our own infinite failure. So we steal every chance we get. Every advantage is taken when no one's looking. We hide behind closed doors. And we don't stop until we are the people we've decided we should be. I wanna be a shot heard round the world, fucking unstoppable. This distance is not something we'll regret from here, and now, and today, and forever, and days after that till the very end."
segunda-feira, janeiro 22, 2007
A encantadora ilusão de poder
Ás vezes me pego pensando em cousas que eu poderia fazer. Traço metas e propostas maravilhosas e cheias de coesão. Porém, isso sempre acontece durante uma caminhada, espaço temporal em que me desligo dos problemas reais, culminando na obliteração da maioria das idéias que formulei. Já pensei até em andar com um caderninho. Talvez um gravador ajude. Mas o pensamento é mais rápido do que minha capacidade de verbalizar. Bom, até agora isso não tem nada a ver com o que falaremos, estou só a florear (ou antes, a enrolar) este textículo. Deu tempo até de engajar neologismos. Ok, comecemos.
Estava eu, nesses dias depressivos de calor insuportável, (estava tentado a falar infernal, mas não compartilho com a idéia de que o inferno é infernal, oops! quero dizer insuportavelmente quente.) matutando um infeliz pensamento sobre o homem. Infeliz em dois sentidos: o primeiro é a tristeza que sinto ao pensar sobre nós, mas também por que eu não avanço muito quando penso nisso. É a tal do desenvolvimento sustentável.
Óquêi, fico por aqui. Ainda falaria sobre cousas em que acredito, o problema é que eu não sei. Entende? Eu acredito, mas não sei em que. Ainda. Eu tava cansado, e não podia sonhar, agora to começando a pensar que eu to sonhando demais. Oops.
Ah! E um título pode muito bem ter nada que ver com o texto que ele nomeia. Lembrem-se disso: a escolha é tua. (será?)
domingo, janeiro 14, 2007
Os vivos no Labirinto do Fauno
O filme, como já disse, foi surpreendente e deixou-me sem palavras. Creio que não conseguirei verbalizar o que pensei. Mas com certeza muitas cousas vêm à mente quando me lembro de tal película. Uma delas é a fé da mocinha, cega como um poste mesmo rodeada de tanta crueldade. Outra é a frieza do exército espanhol e a solidariedade que existe dentro desta corporação. A solidariedade dos guerrilheiros e sua não menos cruel frieza também são temas perturbadores. Há estudos sobre a simbologia da resistência e do exército espanhóis retratados no cinema e literatura. Não é minha intenção mergulhar nisto agora. Deixo isto para depois das minhas queridas prostitutas. Hoje quero só, e somente só conseguir compartilhar o sentimento passado por este filme. Uma possível leitura é que nossos sonhos, se realmente acreditamos neles, se realizam. E que no jogo da vida dependemos de nossas ações, mas também de acasos. As ações coletivas podem ir por água abaixo por conta de certa ação individual. (Ahm... aqui consigo perceber o quanto sou materialista, mesmo pra falar de acaso digo que este é produzido por nós, hominídeos. Eita, sô!) Aqui entra aquele velho conflito, será que somos aptos para sonhar? Há sonhos? É possível ainda acreditar? Duuhhh... "Passa". "Repassa". "Paga". "Vamos pagar!"...
Certo. Comecei falando de uma cousa, e quando percebo estou falando de outra, como sempre! Como citei a frieza do homem quando em guerra, porque não atravessar o Atlântico e falar um pouco sobre essa bandas? Pois sim. Ah! O Brasil! Terrinha linda de se ver. Duuhhh, será? Não vou relatar o que todos sabem através da nossa querida mídia televisiva. Mas digo que, o que nossa sociedade vêm passando (chame de guerra civil, Estado paralelo, terrorismo ou o que for!) é fruto nosso. Lembrei-me agora dos travestis na prostituição. Mas quero guardar um texto especial para eles. Bom, mas não passa de outro exemplo de como nossa maravilhosa sociedade diversificante não consegue conviver harmoniosamente com as diversidades que cria! Creio cada sociedade tem o retorno social que merece! (hummmm vou começar a cultivar isto!) E viva a nobreza doutoral!!! E nossa maravilhosa capacidade de ter medo! Agora relembro uma velha canção: "era para ser diferente, devia ser diferente, mas não se preocupe não vai ser."
Já que estávamos resenhando sobre violência, porque não falar do último assassinato mundialmente conhecido, citado mais acima? Ah! Nada como assassinar um assassino. Nada como dar a sentença de vitória para um ditador. "Vitória? Ele disse vitória?" Alguns devem estar pensando. "ELE TÁ LOUCO?!?!" Devem, outros mais desavisados, estar berrando. Sim vitória, digo eu novamente. O famigerado ditador morreu confiante de seus ideais. Seu assassinato só veio a confirmar o quanto nossa incrível capacidade de dialogar é ínfima, ah! e o quanto somos superiores e civilizados - não poderia me esquecer disso! Voltando, o homem pregou uma forma de vida durante toda sua existência, e morreu por meio dela! Olha que maravilhoso! O cara seria meu herói, se eu gostasse de heróis.
Ai, ai. Acabou que eu desviei dos caminhos, não? Talvez não. Talvez este era um caminho a seguir. Recordo, então, o tema que comecei a aprofundar. E deixo a dica: quem sabe você não consegue seguir adiante com um pedaço de giz e sua capacidade de criação? Pense nisso. Tente sobreviver ao Labirinto do Fauno para que possa vencer o governo fascista. Ou melhor: ultrapasse tuas fantasias para que possa alcançar teus objetivos materiais (palpáveis, ou reais se preferirem).
Ahm... Faltaram as crises anárquicas? Acho que não. Ah! Mas as andorinhas, sim! Sim! Mas elas são outras histórias.
Vou tentando me manter, enquanto as palavras, que são idéias, tentam se formar inteligivelmente em meu cerebelo. Enquanto isso, desculpe por erros de digitação e ortográficos.