domingo, janeiro 14, 2007

Os vivos no Labirinto do Fauno

Estava eu pensando com meus botões, quanto assunto não tenho para discutir aqui. Havia prometido ao meu querido Luriel Franco referências aos ataques contra a polícia paulista, e também ao assassinato de Saddam. Havia também um caso sobre andorinhas, e outro que versava sobre pequenos delírios anárquicos. Mas numa quieta noute de sexta-feira, daquelas em que só temos vontade de relaxar e nada mais, saio para uma sessão de cinema com a senhora minha mãe (eu num cinema! rá! engraçado, porém factum est!). Críamos que iríamos simplesmente passar os minutos, grande engano, foi um verdadeiro chute na nuca enquanto tomava pauladas na barriga. O filme em questão: "O labirinto do Fauno". É a história de uma menina que acredita nos seus sonhos (contos de fadas) durante a Espanha de 1944, no decorrer da resistência contra o regime franquista. Como a intenção não é contar o final do filme, mas sim tentar colocar pra fora o que senti ao vê-lo, restrinjo-me a dizer: o filme se passa entre a realidade e a fantasia, e talvez - arrisco friamente - seja uma dialética histórica entre essas duas dicotomias. Ok, chega de tanto desacato.
O filme, como já disse, foi surpreendente e deixou-me sem palavras. Creio que não conseguirei verbalizar o que pensei. Mas com certeza muitas cousas vêm à mente quando me lembro de tal película. Uma delas é a fé da mocinha, cega como um poste mesmo rodeada de tanta crueldade. Outra é a frieza do exército espanhol e a solidariedade que existe dentro desta corporação. A solidariedade dos guerrilheiros e sua não menos cruel frieza também são temas perturbadores. Há estudos sobre a simbologia da resistência e do exército espanhóis retratados no cinema e literatura. Não é minha intenção mergulhar nisto agora. Deixo isto para depois das minhas queridas prostitutas. Hoje quero só, e somente só conseguir compartilhar o sentimento passado por este filme. Uma possível leitura é que nossos sonhos, se realmente acreditamos neles, se realizam. E que no jogo da vida dependemos de nossas ações, mas também de acasos. As ações coletivas podem ir por água abaixo por conta de certa ação individual. (Ahm... aqui consigo perceber o quanto sou materialista, mesmo pra falar de acaso digo que este é produzido por nós, hominídeos. Eita, sô!) Aqui entra aquele velho conflito, será que somos aptos para sonhar? Há sonhos? É possível ainda acreditar? Duuhhh... "Passa". "Repassa". "Paga". "Vamos pagar!"...
Certo. Comecei falando de uma cousa, e quando percebo estou falando de outra, como sempre! Como citei a frieza do homem quando em guerra, porque não atravessar o Atlântico e falar um pouco sobre essa bandas? Pois sim. Ah! O Brasil! Terrinha linda de se ver. Duuhhh, será? Não vou relatar o que todos sabem através da nossa querida mídia televisiva. Mas digo que, o que nossa sociedade vêm passando (chame de guerra civil, Estado paralelo, terrorismo ou o que for!) é fruto nosso. Lembrei-me agora dos travestis na prostituição. Mas quero guardar um texto especial para eles. Bom, mas não passa de outro exemplo de como nossa maravilhosa sociedade diversificante não consegue conviver harmoniosamente com as diversidades que cria! Creio cada sociedade tem o retorno social que merece! (hummmm vou começar a cultivar isto!) E viva a nobreza doutoral!!! E nossa maravilhosa capacidade de ter medo! Agora relembro uma velha canção: "era para ser diferente, devia ser diferente, mas não se preocupe não vai ser."
Já que estávamos resenhando sobre violência, porque não falar do último assassinato mundialmente conhecido, citado mais acima? Ah! Nada como assassinar um assassino. Nada como dar a sentença de vitória para um ditador. "Vitória? Ele disse vitória?" Alguns devem estar pensando. "ELE TÁ LOUCO?!?!" Devem, outros mais desavisados, estar berrando. Sim vitória, digo eu novamente. O famigerado ditador morreu confiante de seus ideais. Seu assassinato só veio a confirmar o quanto nossa incrível capacidade de dialogar é ínfima, ah! e o quanto somos superiores e civilizados - não poderia me esquecer disso! Voltando, o homem pregou uma forma de vida durante toda sua existência, e morreu por meio dela! Olha que maravilhoso! O cara seria meu herói, se eu gostasse de heróis.
Ai, ai. Acabou que eu desviei dos caminhos, não? Talvez não. Talvez este era um caminho a seguir. Recordo, então, o tema que comecei a aprofundar. E deixo a dica: quem sabe você não consegue seguir adiante com um pedaço de giz e sua capacidade de criação? Pense nisso. Tente sobreviver ao Labirinto do Fauno para que possa vencer o governo fascista. Ou melhor: ultrapasse tuas fantasias para que possa alcançar teus objetivos materiais (palpáveis, ou reais se preferirem).
Ahm... Faltaram as crises anárquicas? Acho que não. Ah! Mas as andorinhas, sim! Sim! Mas elas são outras histórias.
Vou tentando me manter, enquanto as palavras, que são idéias, tentam se formar inteligivelmente em meu cerebelo. Enquanto isso, desculpe por erros de digitação e ortográficos.

7 comentários:

Anônimo disse...

Barrão seu blog é muito bom... Parabéns, vida longa ao Cemitério dos Vivos! As ações que estão correndo na justiça surtiram o efeito de barrar o avanço das obras, só não sei por quanto tempo, já que, como sabemos, o Governo não gosta de engolir sapo, apenas cheirar pó... O que é preciso agora é a participação popular, os belorizontinos precisão se conscientizar da situação da praça e, quem sabe, topem protestar. A respeito da democracia não venha me pedir aula sobre Montesquieu, porque eu ainda tô de férias... hehehehe

Aquele abraço

Lucas disse...

sera preciso uma revolução para q tudo permaneça como está... e o que será preciso para mudar? Ficarmos loucos?..acredito que essa seja a saída mais prudente... Ficar louco é agir com prudência...bizarro... é conseguir viver aonde nunca se quis nem estar..
bem-vindo ao manicômio dos mortos...

mauro F disse...

Barrote,
Não assisti ao "Labirinto..."
mas agora quero ve lo cada vez mais!
Eu não pude perceber se vc quer a inocencia ou se prefere o tapa na cara dela. Mas ultimamente tenho oscilado.
Okái, amo ouvir Beirut e pensar nos anos 20, 30 e quem sabe 40. Mas aí eu me vejo sonhador demais, pq homem sempre foi homem e na minha opinião (idiota, pra variar) o que mudou horrivelmente foi o conhecimento (e o acesso a ele). Saddam morreu - eu vi, nós vimos. Antes, ex-ditadores (se bem que "ex-ditador" não existe, né?) eram mortos por novos ditadores e a história seguia sem que as pessoas soubessem. Opa! Me ocorreu algo: agora as pessoas sabem... e ignoram! Assim como o mundo anda cada vez mais cheio de gente e vazio; como podemos nos comunicar com pessoas no Japão, mas não com nossos vizinhos! Que merda, que meda.
Boa noite
Desculpe a confusão.

Anônimo disse...

corra, corra o mais rápido que puder. Desiste! A realidade não presta, nada na vida presta. Mas não acredite que no sonho você vai ser feliz pois algum idiota vai destruí-lo. Sempre vai existir um "capitão" pra te humilhar, subjugar e te mostrar que o seu lugar é na sarjeta. Você é babaca por acreditar em dias melhores, que haverá alguma mudança. Nada muda, tudo permanece igual! Talvez as caras mudem mas elas sempre terão as mesmas expressão de desprezo. E se o único caminho para a sanidade é a loucura, não vale a pena.

ps: mesmo assim vale a pena ver o filme, faz bem uma certa dose de masoquismo.

Anônimo disse...

Não vi o filme, mas para perceber o referente a violência, basta olhar na janela. Escrevi sobre ela, um texto em fase de revisão. Posso adiantar que, o que tem me deixado mais perplexo é o capacidade de crueldade dos homens. É estranho, somos o mal da humanidade. Somos o mal. Saddam e aqueles que o mataram, nós em nosso estilo burguês de comer até a barriga estufar e se lembrar dos pobres no momento de "reflexão", excluindo iguais, colegas, do nosso grupinho de privilegiados... Todos iguais, a mesma merda.

Anônimo disse...

Pois é, caros colegas. Eu não vi o filme, mas está anotado na lista de filmes a serem vistos.
Bom, como disse John "o sonho acabou" e isso há décadas atrás, na verdade acho que ele não se referia só aos Beatles, ele provavelmente tinha esse sentimento de desilusão, essa síndrome de estrangeiro que eu tenho, entretando, devido à necessidade de sobrevivência e outras cositas mas, finjo ser parte dessa sociedade. Mas não contribuo nem compartilho das barbáries dela.
Mudar? Tudo muda e no entanto tudo permanece igual.

Bacana seu blog Barrão, estou lendo aos poucos.

Abraço, inté.

rcbo disse...

Porra Barrão, putinha de merda! Do caralho esse seu texto ping-pong cilíndrico muito louco. Não pense que essas suas voltas, idas, vindas e fugas deixaram o texto muito confuso e sem coerência. De maneira nenhuma. Manda ver nessa bagaça!

- Vou ver se acho o Labirinto por aí.

Bjonbjon